Os Brasis

O Diploma e o Curso de Jornalismo

Junho 18, 2009 · 2 Comentários

 

 

 

Foto Jonatha Carvalho

Foto Jonatha Carvalho

Por Jonatha Carvalho

 

Estamos encarando um desafio. É preciso repensar os cursos de comunicação e as novas especificidades de nossa área.

Questionar a obrigatoriedade ou não do diploma deixa para trás um debate mais profundo: na prática, nas rotinas de assessorias e redações, o que nos diferencia de um bom leitor com o mínimo de técnica para um lead e a “inteligência” de fazer um clipping?

Qualquer um aprende os métodos.

Tenho percebido no dia a dia que o curso pelo qual passamos é extremamente deficiente em diversos pontos.

Aprendemos sociologia, filosofia, sim. Mas quase tudo a que somos instruídos se perde no limbo do tempo (dead line) e nas necessidades empresariais que sobrepõem qualquer livre pensamento. 

E nossa profissão não está ligada ao simples escrever bem – atribuição mínima – mas, também e principalmente, à discussão de como solucionar problemas de comunicação e novas ferramentas que levem a mensagem (opinativa, informativa, o que for…) a quem dela necessita. Isso vale para periódicos como vale para estratégias de assessoria. Somos comunicólogos, acima de tudo.

Se não encontrarmos novas soluções para os problemas de comunicação existentes hoje – caso consigamos identificá-los, já que não “nos orientaram” sobre isso – não haverá muito sentido em insistir num atestado que nos reconhece como uma “categoria de pensadores que, por motivos óbvios, não pode pensar, sob o risco de ficar desempregada”. Devemos enveredar para o estudo da comunicação em si. Devemos ser mais teóricos da comunicação do que idealistas com mordaças. Acredito que seria uma melhor justificativa para nosso suado diploma.

Quero chegar ao ponto de que, como profissionais de comunicação, precisamos repensar os formatos (e meios) de comunicação existentes com o objetivo de nos tornarmos profissionalmente mais independentes do sistema ao qual temos que nos sujeitar – e que tanto aprendemos a criticar no meio acadêmico, e sempre sem propor soluções, infelizmente. Assim devem pensar as universidades e assim devem pensar os estudantes e jornalistas. 

O futuro é esse. Ou então podemos continuar a despejar sorrisos amarelados em entrevistas de emprego (agora concorrendo com ex-atletas, administradores, advogados…).

Vale ressaltar de quem veio o latido para a não obrigatoriedade do diploma.

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Interdependência

Outubro 24, 2008 · 1 Comentário

Foto Jonatha Carvalho

Foto Jonatha Carvalho

 

Por Jonatha Carvalho

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É fato que a bandeira da proteção ao meio ambiente só existe em razão dos atuais – e futuros – problemas que podem afligir a “evoluída” raça humana. Se a existência do homem não corresse perigo, as questões ambientais seriam levadas tão a sério pela mídia como a luta pela preservação da perereca tropical Phyllomedusa ayeaye.

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Não obstante, torna-se necessário proporcionar um panorama mais amplo à população no que tange a reciclagem de materiais e a consciência ambiental. Não só aquela do carro a álcool – que só faz o atual sucesso em função dos custos menores –, mas a que produz resultados mais amplos, como a reciclagem de materiais, a não degradação dos rios e nascentes e o controle de emissão de poluentes.

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Infelizmente, a propagação destas iniciativas em larga escala depende também de ações governamentais precisas, com atuação junto à sociedade e punições severas para os contraventores. O cidadão ainda enxerga como distante o desmatamento da Floresta Amazônica, que sempre ocupou lugar nos jornais, mas cuja culpa é atribuída, na maioria das vezes, a alguns aproveitadores e, dificilmente, à ausência do Estado.

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O Brasil traz consigo o encargo de proteger a imensa biodiversidade que ainda lhe sobrou. Políticas de planejamento urbano e crescimento sustentável da economia sem desprezar o fator ambiental ainda engatinham na lama da corrupção e do jogo de interesses políticos. O simples ato de não jogar lixo em rios e vias públicas já é um grande avanço, mesmo que a abrangência se restrinja ao seu bairro.

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Em época de eleição, vale ressaltar que um dos cânceres da sociedade brasileira é acreditar que os problemas só podem ser resolvidos de cima para baixo. Assim como um cão com sede, poderá só dar conta da gravidade da situação quando não houver mais água no pote nem dono por perto.

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Fila de banco e um velho e bom malaco

Outubro 17, 2008 · Deixe um comentário

Por Renato Silvestre

Fila de banco é sempre uma situação interessante para se analisar aspectos da personalidade humana. Há desde àqueles que simplesmente “não estão nem aí”, até os tradicionais críticos, não que esses estejam errados, pois permanecer vegetando em uma fila é no mínimo estressante.
Em um desses dias onde teria que cumprir minha procissão rumo à “glória” dos gastos mensais, um sujeito que estava a umas cinco posições a frente chamou-me a atenção.
O nome dele? Não sei. No entanto, em meio a conversas com um cidadão que lhe parecia ser íntimo (mesmo que os dois só houvessem se conhecido a uns dez minutos atrás), este senhor identificou-se como sendo um “Malaco Véio da Bacia do Macuco” (bairro de Santos).
Vou tentar explicar.
Como sempre a conversa nestas situações inicia-se por meio das velhas e já conhecidas reclamações quanto aos serviços prestados pelos bancos, que por outro lado, se já são tão conhecidas assim, está na hora de alguém resolver o problema.
Ficar parado em um fila, seguindo o fluxo do “matadouro financeiro”, pode ser entediante, mas algumas reflexões sempre acabam acontecendo.
O nosso personagem, aquele da Bacia do Macuco, estava chocado com o caso do menino João Hélio, não é por menos, afinal, quem em sã consciência não ficou impressionado com a brutalidade deste crime. Ele dizia que isso tudo era uma vergonha para o país e que a lei aqui não funcionava. Sua gesticulação e suas argumentações conseguiam realmente chamar a atenção, não pelo tom de voz, mas pela habilidade com o vocabulário utilizado.
O que era praticamente um monólogo, de uma hora para outra tornou-se discussão grupal. A esta altura, seis ou sete pessoas falavam sobre o assunto. Todas indignadas complementavam a história do menino com detalhes que tinham visto com “exclusividade” na televisão ou que haviam escutado de seus amigos.
Interessante como pseudo-soluções para o caso surgiam em meio aquela batalha pela fala da vez. Um tumulto de idéias geniais incansavelmente pregadas pelos grandes grupos de comunicação e/ou os famosos formadores de opinião.
Pena de morte, redução da maioridade penal, o aumento da criminalidade e a ausência da família, tudo levantado em rápidas e secas opiniões que nem ao menos eram analisadas, pois eram sobrepostas em um emaranhado de outras tantas do mesmo tipo.
Nesta linha, a conversa iria até o final do expediente bancário, até porque o ritmo que a fila andava era menor que os “passos de formiga e sem vontade”, cantados por Lulu Santos.
Nosso amigo do Macuco resolveu mudar a conversa e iniciou a compartilhar com todos uma história particular. Falava a respeito de um sobrinho, que “desde pequeno já não era flor que se cheire”, citando uma vez que o visitou.
Sua filha, ainda pequena, brincava na sala quando começou a ter séries de ataque de choro, ele desconfiado reparou que o sobrinho pisava na mão da menina logo que os adultos da casa se descuidavam. Para dar uma lição no garoto, esperou sorrateiramente até o instante de sua partida. Percebendo o momento correto, rebateu os pisões que sua filha foi vítima, com um ainda pior.
A dor no choro do sobrinho não foi pior que o sentimento vivido por ele alguns anos depois. A sua tentativa de colocar o garoto nos eixos, por meio da pisada e da explicação deste ato, não surtiram efeito e o que ele temia aconteceu. Aquela simples flor mostrou-se revestida de veneno e espinhos. Hoje está na cadeia.
O ente querido de nosso personagem foi apenas um exemplo utilizado por ele para sustentar sua tese de que “a ruindade já está na pessoa desde que ela é criança” e que por isso não haveria mais chances de melhora. Esta é, no entanto, uma ideologia a ser discutida, pois será que o criminoso, o é desta forma por culpa da genética? Ou fatores como a não presença de uma família, a falta de orientação, a cultura do consumismo exacerbado e a indisposição dos serviços públicos estatais podem ser um ponto chave na formação do caráter humano?
A revolta de todos, mesmo que em uma fila de banco, vai além da simples indignação diária com a sociedade, repleta de ódio, miséria e violência. Mostra que a população não é boba, sabe o que quer. Por outro lado, a ausência de um líder que seja a ponte entre a idéia coletiva e o governo faz a massa calar.
Embriagados pela falta de liderança, as pessoas, inquietas, esperam somente um breve momento de discussão para que exponham suas idéias. Para isto, não há hora, nem lugar e qualquer cidadão como nosso “Véio Malaco da Bacia do Macuco”, pode ser o líder.

*texto originalmente publicado em 11/03/2007, logo após a morte 

do menino João Hélio, que foi brutalmente arrastado por vários quarteirões,

preso a um carro que era conduzido por menores de idade

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Descaso coletivo

Outubro 8, 2008 · 1 Comentário

Por Jonatha Carvalho

Na mesma velocidade em que panfletos e santinhos vão sumindo das ruas – e a chuva tem contribuído razoavelmente para isso –, a memória de muitos que foram às urnas nestas eleições se perde entre números, porcentagens e a novela das oito. Como é de praxe, o primeiro dia do próximo ano marca o início de uma nova gestão nos municípios, contudo sinaliza igualmente para mais quatro anos de descaso não [só] dos eleitos, mas, principalmente, dos representados.

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O exercício da democracia começa na participação do cidadão comum nas decisões que envolvam os problemas de sua rua, bairro e município, e reclamar da falta de vagas na creche ou do trânsito infernal dos fins de tarde somente para o espelho é um grito debaixo d’água. Por mais que o vereador ou prefeito seja sempre sorrisos ao visitar uma obra medíocre perto de sua casa, só quem sente o calor de verão no ônibus lotado e a gélida arma na cabeça no sábado à noite sabe em que cidade mora e de que doenças ela sofre.

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Como parte de nossos representantes pensa, infelizmente, somente a cada quatro anos – em um exercício secular que não possibilita a formação de bases sólidas às instituições –, estimular neles a lembrança de que existe uma sociedade por detrás dos carimbos e assinaturas nos gabinetes da prefeitura é dever do contribuinte. E, assim como no combate ao câncer da corrupção, vale a máxima de que “para que o mal predomine, basta que os bons não façam nada”.

 

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Por quê dois Jogos?

Setembro 12, 2008 · 2 Comentários

Por Renato Silvestre

Pouca gente percebeu ou comenta, mas as Olimpíadas continuam.

Talvez não com todo o envolvimento midiático e financeiro de grandes patrocinadores, mas os jogos paraolímpicos são mais do que uma competição.

A superação de limites e de por vezes dramas pessoais, tornam-se lágrimas e suor de vencedores.
Não há derrotados nas paraolimpíadas.

É fácil admirar Phleps ou Bolt, engrandecidos pelo marketing esportivo e pelo dinheiro de grandes centros de treinamentos.

Mas, me pergunto afinal, porquê os grandes atletas de cadeiras de roda, olhos vendados e percepção sobre-humana são considerados tão diferentes e esquecidos das grades de programação das TVs?

Ainda há muito preconceito no Brasil com relação aos portadores de necessidades especiais. Ainda há dificuldades no cotidiano deles.

Ônibus não adaptados, calçadas esburacadas e sem sinalizações específicas e um olhar preconceituoso e de diferença de muitos.
Na busca por um mundo melhor acredito no poder do esporte e vejo a Olimpíada – ainda que tenha perdido muito dos valores pensados por Barão de Cobertin – como uma porta para a busca por igualdade nas relações humanas.

Penso o porquê da separação? Por quê dois jogos olimpícos?

Imagine como seria emocionante vermos tudo acontecer ao mesmo tempo:

Em uma bela tarde Phelps vai para a piscina e ganha, minutos depois Daniel Dias e Clodoaldo Silva também fazem bonito nas águas mágicas de um Cubo d’Água. A torcida vibra no estádio olímpico, Bolt ganha e dança mais uma vez…em pouco tempo Ádria dos Santos passa como um raio para conquistar mais uma medalha para o Brasil e mostrar para o mundo que no final todos somos vitoriosos, apesar de reclamarmos tanto de nossas condições físicas, sociais, psicológicos ou financeiras.

É claro que há questões técnicas, seja dos locais de competição, seja dos aparelhos envolvidos que dificultariam este casamento, mas, poderíamos sim, ver ter este show amarrado em único pilar.

O pilar do sonho da igualdade e da valorização das pessoas, das idéias, do suor e do amor pelo esporte, do amor antes de mais nada, pela vida.

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Pane no sistema…

Setembro 8, 2008 · Deixe um comentário

Renato Silvestre

Foto:Renato Silvestre

Por Renato Silvestre

Sento no sofá, escuto (finjo que não escuto)… concentração!

Não posso olhar, não posso olhar, não posso olhar. Maldita tentação!

Por quê? Por que tenho que ser exilado de mim mesmo?

Fujo da realidade cruel, da tecnologia demoníaca, de todas essas coisas mundanas.

Fujo do mundo que passa na telinha, no plin-plin, e de todos os canais satânicos que possam me prender e encarcerar minha alma em uma caixa eletrônica, ainda que de plasma.

Desculpe-me, não dá!

Abro o sagrado livro. Procuro, procuro, procuro…não acho!

- Mas, o pastor falou que estava aqui! Não entendo!

É melhor procurar mais um pouco. O tempo aqui não é perdido.

Passo horas tentando entender, mas só vejo a luz e enxergo ao longe quando não acho a resposta.

Descobri que ser humano é valorizar e apreciar também as obras humanas. Fruto dos mistérios da humanidade, de uma mente capaz de me levar longe. Da Babilônia ao mundo moderno, da modernidade à pós-modernidade, e dela ao fim.

Agora posso olhar e ver a programação, fazer a programação, ser programado!

Não, não… por que tantos extremos?

Ora fantoche do pastor, ora do plin-plin…chega!

Pego o controle remoto e aperto o botão vermelho. Está tudo acabado, desligado.

Dane-se o sistema…danem-se os sistemas!

 

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Morte deliberada ou alívio à alma?

Agosto 28, 2008 · Deixe um comentário

Jonatha Carvalho

Foto: Jonatha Carvalho

Por Carolina Iglesias

Por muitos anos o tema do aborto freqüentou as páginas de jornais. Polêmico, o tema voltou a ser discutido na última terça-feira, no Supremo Tribunal Federal. A audiência ouviu diversos argumentos de setores favoráveis e contrários à interrupção da gravidez quando os fetos são anencéfalos (sem cérebro).

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Sem dúvidas, o aborto é um ato de difícil compreensão para a maioria das mulheres. Mas sem falsas demagogias, a escolha só depende delas. Ressalto que não sou apologista do aborto, mas em situações especiais é necessário avaliar se a mulher possui estrutura psicológica e física para carregar o fardo de dar a luz a uma criança com reduzida expectativa de vida.

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Do silêncio de vinil, ao choro de carne e osso
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O que acompanhamos diariamente é o aumento de casos em que mães, cada vez mais jovens, engravidam e, por conta de um relacionamento sexual precoce, optam pela interrupção da gestação. Nestes casos, o aborto funciona como uma válvula de escapa para a resolução de um fardo indesejado.

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Condeno decisões como essa, que afetam unicamente o bebê. No entanto, impedir a prática do aborto nos casos em que a criança possui má formação não é uma atitude sensata. Em situações como essa, a melhor saída, sem dúvida alguma, é optar pela morte digna ao invés da infelicidade incurável.

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A audiência será retomada na Sala de Sessões da Primeira Turma do STF nesta quinta-feira. A iniciativa termina no dia 4 de setembro.

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Que venha o próximo desafio!

Agosto 24, 2008 · Deixe um comentário

Daniel Elias

Foto: Daniel Elias

  Por Daniel Elias

Vitalidade, impulsão, garra! Quem disse que uma senhora com mais de 60 anos não pode jogar vôlei? E muito se engana quem pensa que as partidas são iguais as do vôlei adaptado (uma das modalidades dos Jogos Estaduais do Idoso, sediado em Praia Grande, ano passado). Jogar-se no chão para salvar uma bola praticamente indefensável; finalizar o ponto com uma cortada; forçar o saque no melhor estilo Waleskinha e companhia.

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Esta é a rotina das atletas que estiveram em Praia Grande durante o 13º Campeonato Brasileiro de Vôlei Máster Feminino. Mulheres de até 78 anos que já na terceira idade deixaram tudo de lado para se dedicar ao esporte. Marias, Joanas, Franciscas, todas com um único objetivo: ser feliz!

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A maioria delas já se preocupou com marido, filhos, família; perderam noites de sono em busca de realização profissional ou dedicaram-se integralmente ao esporte pela vida toda e agora não entram em quadra apenas com o objetivo de vencer, mas também pelo prazer. Hoje são mulheres independentes que custeiam seus gastos. De um sorvete na praia a uma viagem ao exterior para participar de uma competição.

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Em cada competição ocorre um aprendizado coletivo, que envolve quem está dentro e fora das quadras. A todo instante histórias de vida são compartilhadas, como a de Aída dos Santos, 71 anos, que saiu das pistas de atletismo para as quadras quando jovem e hoje vê sua filha, Waleskinha, defendendo a Seleção Brasileira de Vôlei.

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Difícil também não se envolver com a magia e o encantamento da carioca Laurinha, 71 anos, campeã máster de atletismo em diversos campeonatos nacionais, sul-americanos e mundiais, nas categorias 100 e 50 metros rasos e que aceitou o convite das amigas para jogar vôlei em Praia Grande.

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Por que não falar também de Ivony Lour Cardoso de Almeida, que aos 18 anos foi coroada Miss Paraná e hoje, aos 73 anos, faz parte do selecionado paranaense, influenciada por sua irmã, a saudosa Iverly? E ainda Mary Apparecida, que aos 78 anos era a atleta de idade mais avançada da delegação paulista e de toda a competição?

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A oportunidade de vê-las em ação por dez dias ficará guardada na memória e no coração. Uma coleção de histórias, ensinamentos, lições de vida.

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Olimpíadas para chinês ver

Agosto 23, 2008 · Deixe um comentário

Jonatha Carvalho

Foto: Jonatha Carvalho

Por Leonardo Leal

Em competições esportivas, principalmente a atual, ouve-se falar, às vezes, em espírito olímpico. Na prática ocorre uma exaltação ao vencedor, como um herói que cumpriu a missão a que estava submetido. Há quem diga que o esporte substitui a guerra, pois direciona nossos instintos e desejos para um objetivo menos bélico e mais, digamos, artístico.

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A experiência que tenho de jogos esportivos é que certa vez, ainda menino, quando me aventurei pelo futebol num campo de várzea, tomei um jogo de corpo que me deixou desnorteado. Passei a pensar na deslealdade do jogo e dos jogadores aliada à minha pouca vontade de jogar bola, que foram suficientes para abandonar a carreira nada promissora.

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Todavia descobri o Xadrez, este sim, uma guerra na prática, onde uma das maiores qualidades talvez seja a lealdade dos jogadores. Um lance fora do regulamento é facilmente percebido, qualquer tentativa de se desestabilizar o adversário fora do tabuleiro pode ser respondida com um simples silêncio, onde as palavras, no melhor sentido budista, ficam com quem as pronunciou.

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Bom, é lógico que o xadrez faz pouco sucesso, além dos esforços de raciocínio, memorização e antecipação de jogadas, muitas vezes o jogo está decidido algum tempo antes do fim. Razão dos abandonos de partida.

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Como não tenho o talento de começar um texto com o título. Mas, tentando, pegar o fio da meada. Vou citar Caetano e corrigir o traçado, no meio da corrida: Sejamos imperialistas!

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As chances do Brasil, como tem se comprovado, no quadro de medalhas são remotas. A disputa, desta “guerra esportiva” se dá entre Estados Unidos e China. Com a vantagem, que o país do oriente está jogando em casa. O mesmo país que pretende mostrar que consegue aliar crescimento econômico com boas condições de vidas para os chineses. Ao menos os que participam das competições esportivas e lutam por um ideal.

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Nesse caso preferiria torcer para o outro império que, queremos ou não, tem oferecido melhores condições à sociedade com contas pagas por outros países, mas isto é outra história.

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Todavia a Rússia, com alguns esportistas consegue se interpor entre os dois impérios. E é aqui que entra o mote deste texto. A russa, destaque no salto com vara e uma mão nas costas competiu com a americana que se esforçou como nunca, e, perdeu.

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A imagem que fica é a mulher correndo, o instante em câmera lenta, pode-se ouvir o coração da atleta, a vontade de ganhar em todos os esforços. Dos passos da corrida ao impulso do salto. No momento em que ela salta, a tv nos mostra os detalhes com perfeição, por um momento torcemos para que ela ganhe.

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Mas, a contração do corpo a impede, ela derruba a barra. Da primeira vez, tem mais uma chance, se esforça ao máximo e, quando a gente acha que conseguirá, seu olhar expressa a busca da vitória. A barra, tinha a barra que mais uma vez, sem um pingo de sentimento, a derruba novamente.

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Nesse momento a atleta vai do ponto mais alto de suas expectativas ao mais baixo da esperança. E é Provável que tenha uma noite de insônia, buscando por todos os caminhos, o momento que poderia ter feito a diferença.

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Quando o atleta se encontra derrotado é que se percebe a fragilidade do espírito olímpico. Os esportistas estão lá para ganhar, o que vale, de fato, é a batalha. Mesmo que seja uma batalha perdida. Parece algo típico do ser humano.

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Fernando Pessoa dizia que os conhecidos eram campeões em tudo e nnuca havia conhecido alguém que tivesse levado porrada. No momento que a atleta perdeu, nós percebemos que ela não era uma semideusa, e como todos nós, uma mortal. Talvez em busca de uma imortalidade, de um feito para ficar na história.

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O que importa de fato e talvez não se perceba, é que na derrota se aprende muito mais do que na vitória. Está aí a razão do poema. Sejamos humanos e deixemos os chineses com seus fogos de artifícios e a falsa impressão do que eles desejam ser, mas não esqueçamos que foram eles que invadiram o Tibet, torturaram e expulsaram os monges de um país teocrático. E vale perguntar: será que, na prática, não são os regimes políticos e econômicos o ópio do povo?

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No coletivo

Agosto 22, 2008 · Deixe um comentário

Por Jonatha Carvalho

De um senhor, ontem, entre os solavancos de um ônibus lotado no final da tarde, ao debater quem cederia o lugar a quem numa poltrona vazia.

–Pode sentar, minha senhora. Não estou velho. Tenho dezoito filhos, doze trabalhando e seis estão presos. Graças a Deus, nenhum desempregado.

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