Por Jonatha Carvalho
Eu ainda escuto que FHC foi um bom presidente…
Lula teve sorte, sim. Mas resumir todos os seus feitos a isso é constrangedor para o povo, que teima em ter vergonha do País. O fato é que o Brasil pós-Lula é uma nova nação. Lula alcançou o que não se via desde Juscelino: o brasileiro hoje tem orgulho de pertencer à pátria verde-e-amarela. Isso é inegável. O “eterno país do futuro” finalmente dá os primeiros passos em direção ao progresso. E o mundo inteiro concorda acerca de tais avanços.
.
Corrupção? Sempre existiu. Só que agora ela aparece, escancarada, diariamente na TV.
E existe investigação, sobram denúncias. Mas não se vê punição alguma.
Falta caráter aos políticos (de todos os partidos) mas, principalmente, a juízes que aproveitam as falhas da lei não para castigar os canalhas de paletó, mas para ajudá-los. E, por favor, renúncia não é auto-punição.
.
E o ciclo continua: votar, esperar, reclamar, esquecer e votar novamente. Falta consciência política na cabecinha de nosso povo, que reelege Maluf, elege Frank Aguiar e condena visionários como Landell de Moura até hoje. E ainda tem a pachorra de achar que o Brasil é assim mesmo.
.
Adoraria ligar a TV e ver certo deputado algemado, escutando uma condenação de ao menos duas décadas da boca do juíz, logo após a notícia da morte de um astuto senador (de bens tomados pela justiça no mês anterior), por infecção hospitalar. Em seguida, seria maravilhoso o discurso de Arnaldo Jabor afirmando que, finalmente, tribunais de todo o País punem exemplarmente os que roubam e matam nossos compatriotas.
.
Ah, tá…
Sobre as eleições do presente ano, não tenho meu voto definido. Entretanto, acredito que a alternância de poder é sempre saudável, desde que o jogo de cargos e interesses não sobreponha as necessidades do País. Quem manja um pouquinho de política sabe que o único partido que governa o Brasil (e desde a redemocratização) é o PMDB. Portanto, não haverá renovação sem votos que considerem o histórico do candidato e a legenda. Afinal, brasileiro, ingenuamente, vota no nome, não no partido.
.
De qualquer modo, o próximo presidente terá um desafio à parte: prosseguir com as expectativas que Lula criou. Qualquer coisa menor que isso será decepção certa. E o novo Lula na oposição é, sem dúvida, a pior pedra no sapato que um presidente tupiniquim pode ter.
.
O Brasil não precisa mais de planos que prometam milagres em quatro ou oito anos. Nossa ridícula educação é um ótimo exemplo. Ninguém quer investir pesado em algo que só brilhará em uma ou duas gerações. Carecemos, antes de tudo, de estadistas.
.

